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Excesso de mortalidade por todas as causas entre 2010 e 2020 (fonte: Financial Times)

Durante a pandemia de COVID-19, o Financial Times tem publicado periodicamente estatísticas sobre excesso de mortalidade em vários países. Há dados relativos a Portugal (mais informação) que permitem fazer o seguinte gráfico sobre o excesso de mortalidade por todas as causas entre 2010 e 2020:


A curva branca é a da mediana da mortalidade observada entre 2015 e 2019, calculada dia a dia. Se subtrairmos dessa linha a mortalidade por todas as causas (linha laranja) apenas nos pontos onde ela é maior do que a linha branca, obtemos a curva amarela. Ou seja, a linha amarela é zero onde a mortalidade foi menor do que o "normal" (aqui "normal" é representado pela curva branca), tomando valores positivos onde houve mais mortalidade do que o normal. Se acumularmos as séries contíguas de valores positivos da curva amarela ficamos com a curva vermelha, que representa episódios onde houve um excesso de mortalidade por todas as causas (a acumulação volta a zero de cada vez que a curva amarela tem o valor zero).  
Com este método observa-se que na última década nunca se observou tanto excesso de mortalidade em dias consecutivos como agora. Deste excesso, menos de metade tem sido atribuído à Covid-19. Outras possíveis explicações incluem ondas de calor, a redução de tratamentos hospitalares por receio da pandemia e Covid-19 não detectada, por exemplo. Todas estas componentes devem ser estudadas profundamente e quantificadas, rapidamente, para que se possa perceber o que se está a passar e agir nas causas.



Também os vários picos de excesso de mortalidade que se seguiram aos grandes incêndios de 2017 devem ser devidamente estudados. Há muitos possíveis factores a ter em conta, um dos quais a possibilidade de mortes associadas a exposição a grandes concentrações de poeiras PM2.5 e PM10 (por exemplo), as quais foram emitidas  nos grandes incêndios de 2017, podendo ter afectado partes significativas da população durante extensos períodos de tempo. As mortes devido a este efeito podem ser substanciais, nomeadamente em Portugal, mas diferidas no tempo, sendo difíceis de detectar e quantificar. Este artigo quantifica valores para 2005 e 2008 com base num modelo: "Mortality due to Vegetation Fire–Originated PM2.5 Exposure in Europe—Assessment for the Years 2005 and 2008" (tabelas e mapas abaixo). Em 2017 houve muito mais área ardida em Portugal do que em 2005.



 

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